domingo, 30 de maio de 2010

Abreu, o pessimista

1.
Parecia-lhe fútil o todo; fútil e demasiado entediante. Costumava fingir sentir falta de algo, mas no íntimo sabia qual era o incômodo, conhecia aquela sensação esquisita, mas familiar. Certeza não, possuia uma convicção plástica da chatice de todas as coisas.

Era impotente para dar cor ao preto e branco; logo, sentia-se preso a uma eternidade incolor. Talvez até inodora e insípida. Tantas idas e vindas, energia gasta, estratégias meticulosamente postas em prática para alcançar objetivos pífios... Bobagem; meras ocupações para preencher o enorme tempo disponível.

 10/03/09

2.
É preciso ter trabalho, hobby, obrigações sociais. É preciso criar padrões de toda natureza, render-se à rotina, ser uma peça da engrenagem. É preciso fazer sentido, para os outros, para si próprio. É preciso não enlouquecer. Aguentar pressão. Pressionar. É preciso comprar uma iorguteira top therm.

18/05/10

3.
Sentir-se incomodado é inevitável. A maneira mais inteligente de direcionar o esforço, portanto, não é nadar contra a correnteza, mas conviver com o incômodo, esquecer dele, transformá-lo em força motriz para algo positivo.




30/05/10

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